História do Estádio do Mineirão

Construção Mineirão Estádio 

Quando começaram as obras do Estádio Mineirão, em 1959, engenheiros e operários não tinham certeza de que elas seriam concluídas. Gil César, o administrador da construção, enfrentou crises financeiras, mas soube usar a política em proveito do Mineirão. Apesar do controle extremado dos gastos, as obras enfrentavam, a cada etapa, o esgotamento de recursos. O empréstimo inicial de 100 milhões de cruzeiros evaporou na execução dos primeiros serviços de fundação. Durante um ano e meio, a empreitada seguiu um ritmo lento, trabalhando com equipamento reduzido e com pessoal mínimo indispensável. Enquanto um grupo agia politicamente para modificar leis que possibilitassem a obtenção de recursos e também convencer o governador Magalhães Pinto de bancar a construção, a AEMG procurava adaptar-se à frágil situação financeira.

O novo estádio foi alçado a emblema para a engenharia nacional ao oferecer inúmeros exemplos de evolução na construção civil. A equipe de engenheiros do Mineirão foi ao extremo nos detalhes. Passou o Maracanã por um verdadeiro raio-x, localizando deficiências que não deveriam ser repetidas no campo mineiro. Em 1964, Gil César foi buscar em Tóquio, onde foram erguidas arenas para as Olimpíadas, novidades sobre este tipo de obra. Os profissionais anotaram particularidades e inovações de engenharia. Preocuparam-se até com a qualidade da grama, balizas e outras minúcias.

A grande dúvida que testava engenheiros e operários era quanto à capacidade de se executar uma superestrutura – uma falsa elipse, medindo o eixo maior 275 metros e o menor 217 metros – utilizando equipamento convencional. Para avaliar e suprimir incertezas, foi projetado um mini-Mineirão, chamado de setor experimental 15 ( hoje, abrigando a torcida do Atlético ) onde um elo de arquibancadas e coberturas seria submetido a todo tipo de prova. Usinas de concreto, correias transportadoras, graus, carregadeiras e lançadeiras foram testadas. A complexidade da obra exigia barras de ferros em comprimentos que a indústria não tinha condições de atender. A solução veio no próprio canteiro de obras, onde engenheiros e operários utilizaram soldas para promover a extensão das barras.

Com recursos disponíveis podia-se contratar mais gente, mas a AEMG esbarrou na falta de pessoal qualificado. Feita uma concorrência pública para fornecimento de mão de obra, constatou-se ser inexequível, pois o preço cobrado – 15 milhões de cruzeiros – era infinitamente alto para o caixa da administração do novo campo. Comprovou-se, no futuro, que o valor pedido pelas empresas daria para construir um Mineirão e meio. Na prestação de contas, o “gigante da Pampulha” consumira um total de 10 milhões de cruzeiros.

Diante da inexistência de mão de obra especializada disponível, a AEMG promoveu o treinamento de pedreiros, carpinteiros, armadores e outros profissionais. Turmas inteiras foram formadas, e centenas de operários ganharam qualificação para exercer funções especiais. Neste estágio, a administração conseguiu reunir número necessário e indispensável para tocar a obra em ritmo acelerado. Entre agosto de 1964 e julho de 1965, a construção saltou de um único setor (o experimental) para oferecer ao país o mais moderno estádio do mundo.

Construção Mineirão

Para apressar a construção e abreviar o drama do orçamento, Gil César lançou a operação 24 horas por dia, dividindo em três turnos os três mil operários contratados. O serviço não parava um minuto sequer. Do alto do edifício Acaiaca, no centro de Belo Horizonte, via-se um enorme clarão de luz vindo dos lados do futuro Mineirão. A administração passou a gratificar as equipes por produção e criatividade, promovendo uma competição entre os diversos setores da construção. A ideia do “joguinho local” deu tão certo que muitas frentes foram concluídas bem antes do prazo estipulado. O processo de tempo integral permitiu que o estádio fosse entregue à população em oito meses. Mesmo em ritmo alucinante e sob pressão, apenas um trabalhador morreu durante toda a construção da arena. 7.200 operários trabalharam na construção. A capacidade original era de 130.000 pessoas.

Primeiros anos Mineirão Cruzeiro

Foi inaugurado em 5 de setembro de 1965, com uma partida entre a Seleção Mineira e o River Plate, da Argentina. Com um público de 73.201, as festividades tiveram direito a música, fogos e paraquedistas. Na partida inicial, o combinado estadual venceu por 1 a 0, com gol do jogador do Atlético, Buglê.

No dia 7 de setembro (data da independência brasileira), foi realizada a primeira partida da Seleção Brasileira no estádio. A equipe do Palmeiras inteira, incluindo comissão técnica e os reservas, vestiram a camisa da seleção, para jogar um amistoso contra a seleção do Uruguai. Os brasileiros venceram por 3 a 0.

A primeira equipe a jogar um torneio interestadual oficial no Mineirão foi o Esporte Clube Siderúrgica. Campeões mineiros de 1964, eles inauguraram uma era de grandes torneios nacionais jogados no Mineirão. Na Taça Brasil de 1965, jogaram a decisão da chave central contra o Atlético Clube Goianiense. Tendo vencido o primeiro jogo por 3 a 0, saíram atrás do marcador mas viraram a partida para 3 a 1. Na fase seguinte, a decisão da chave centro-sul, o Siderúrgica sucumbiu ante ao Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, saindo de Porto Alegre derrotados por 3 a 1 e apenas empatando em dois gols no Mineirão.

O primeiro clássico realizado no estádio Mineirão foi pelo campeonato mineiro de 1965. O Cruzeiro vencia o Atlético por 1 a 0 quando, aos 34 minutos do 2º tempo, alguns diretores atleticanos, alegando a marcação de um pênalti irregular, invadiram o campo afirmando que a falta acontecera sobre a linha da área (esquecendo que a mesma faz parte dela). A partida foi encerrada após o Atlético ter vários jogadores expulsos e o Cruzeiro ficou com o título mineiro daquele ano, abrindo a Era Mineirão.

Organizado pela Federação Mineira de Futebol, a história do campeonato pode ser dividida em duas partes: antes e depois da construção do Mineirão, que foi inaugurado em setembro de 1965. A época chamada de Era Mineirão marca o crescimento do time mais jovem da capital, o Cruzeiro, que assumiu um papel de destaque no cenário esportivo nacional após vencer o Santos de Pelé na final da Taça Brasil de 1966 e, em poucos anos, se tornou o clube mineiro com maior número de títulos nacionais e internacionais.

Era Mineirão

O Cruzeiro disputou dois jogos finais da Libertadores no Mineirão, vencendo em 1997 e perdendo 2009. Também disputou no estádio parte das séries finais de 1976 e 1977. Em 21 de dezembro de 1976, o Mineirão foi palco da partida final da Taça Intercontinental, disputada entre Cruzeiro e Bayern de Munique. Na época, o título era disputado em duas partidas. No primeiro duelo, na Alemanha, o time da casa venceu por 2 a 0. Com um empate por 0 a 0 no Mineirão, o Bayern se consagrou campeão. O estádio também abrigou três títulos do Cruzeiro na Copa do Brasil, em 1993, 2000 e 2003, e a última conquista do Atlético na Copa Conmebol, em 1997. Em 12 de agosto de 2003 o estádio foi tombado pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte.

Entre 1996 e 2003, diversas reformas renovaram o Mineirão. Em 1996, o estádio ficou fechado por cinco meses para a troca do gramado. Depois ocorreram substituições dos sistemas de drenagem e irrigação, mais iluminação e placar eletrônico, melhorias nos vestiários, e a instalação de pilares de sustentação na arquibancada para diminuir a vibração das mesmas.

Em 2004, por exigência da FIFA para o jogo das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006 entre Brasil e Argentina, todo o setor das arquibancadas superiores foi coberto por cadeiras numeradas. Posteriormente, as arquibancadas inferiores também tiveram cadeiras colocadas em sua extensão. Em junho de 2008, para sediar novamente o maior clássico sul-americano, válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010, o estádio teve o placar trocado. Foram instalados dois telões de 75 metros quadrados cada.

Reformas para a Copa do Mundo de 2014

Com a escolha do Brasil como país-sede da Copa do Mundo FIFA de 2014, Belo Horizonte, juntamente com Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Porto Alegre, foi uma das cidades pré-selecionadas para sediar os jogos. Em 2 de fevereiro de 2009 o governo de Minas Gerais apresentou o projeto de modernização do Mineirão. O projeto apresentado assegurou a preservação da fachada original ( nos mesmo moldes em que foi realizada a reforma do Estádio Olímpico de Berlim ). Em 31 de maio, a Fifa anunciou as 12 cidades sedes da Copa do Mundo de 2014, confirmando a capital mineira como uma delas.

Em 2010, o estádio foi fechado para as reformas necessárias para a Copa. Os últimos eventos no estádio foram o jogo Atlético 0 x 1 Ceará, em 6 de junho, e um show gratuito do Skank em 19 de junho, registrado no CD e DVD Multishow Ao Vivo – Skank no Mineirão. Ainda em 2010, durante as obras de reforma, o estádio teve o processo de rebaixamento do gramado iniciado. O gramado foi rebaixado em 3,4 metros.

A Minas Arena é uma sociedade de propósito específico, constituída pelas construtoras Construcap, Egesa e HAP Engenharia. A sociedade foi responsável pela execução das obras de reforma e modernização do estádio Mineirão, realizadas entre 2010 e 2012, tornando-se responsável pela operação do estádio por 25 anos. Em 2011, o estádio recebeu a instalação de 166 amortecedores sob a parte superior da estrutura, em substituição às hastes verticais que tinham debaixo de todo anel.

Novo Mineirão

A cobertura do teto do estádio foi ampliada para proteger os assentos de eventuais chuvas durante as partidas. A geral passou por reformas e, assim como ocorreu no Maracanã, foram colocadas cadeiras. Inicialmente, a mudança reduziria a capacidade do Mineirão de 75.783 espectadores para 64.000. Na parte externa, a principal adaptação ficou por conta do transporte, com a ampliação do estacionamento. Fora isso, cerca de 400 ônibus devem abastecer o estádio em dias de jogos. Foi erguida ainda uma esplanada ao redor do estádio, com cerca de 80 mil m² que comporta mais de 65 mil pessoas e abriga eventos.

O Ministério Público Federal (MPF) enviou no dia 5 de junho de 2012, uma recomendação ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para que a instituição suspendesse qualquer repasse para as obras de adequação do estádio Mineirão, objetivando a Copa do Mundo de 2014. O MPF queria que os recursos na ordem de R$ 160 milhões fossem liberados apenas após o Tribunal de Contas do Estado (TCE) atestasse que não houvesse irregularidades no projeto.

No dia 9 de Novembro, o Mineirão foi o primeiro estádio da Copa 2014 a receber o plantio do gramado. O valor final das reformas do estádio foi de R$666,3 milhões. A BCMF Arquitetos foi responsável pela reforma do Estádio Mineirão.

Mineirão Hoje

Depois de quase três anos de obras, o estádio foi reaberto ao público no dia 21 de dezembro de 2012 e tornou-se o segundo estádio da Copa do Mundo de 2014 a ser entregue, depois do Castelão de Fortaleza. O evento oficial contou com a participação da presidente Dilma Rousseff. A reinauguração foi celebrada com um show da banda mineira Jota Quest, realizado em um palco montado na recém construída esplanada do estádio. Cerca de 20 mil pessoas estiveram presentes.

O jogo de reinauguração foi o clássico Atlético contra Cruzeiro em 3 de fevereiro de 2013, na estreia do Campeonato Mineiro. O primeiro gol do “novo Mineirão”, foi um gol contra, Marcos Rocha do Atlético, acabou marcando contra sua baliza ao disputar uma bola aérea com o atacante Anselmo Ramon, aos 22 minutos do primeiro tempo, o Cruzeiro venceu a partida pelo placar de 2×1. O público presente na partida foi de 59.968 e o público pagante, aproximadamente 53 mil pessoas, o que gerou a maior renda da história do Mineirão: R$ 3.677.635,00. A renda viria a ser superada em julho na final da Copa Libertadores da América de 2013, onde o Atlético sagrou-se campeão diante do Club Olimpia. A renda foi de R$ 14.176.146,00.

Apesar de recém-entregue, contudo, o primeiro clássico abrigado pelo estádio foi alvo de queixas dos torcedores, que sofreram com falta de luz e água. O governador Antônio Anastasia, no entanto, minimizou a situação dizendo que, até então, só ouvira “elogios”.